Neste episódio, Sergio Amadeu conversa com Ricardo Teixeira, médico, professor e pesquisador do Departamento de Medicina Preventiva da USP. Em meio ao crescimento do número de mortos pela covid-19, vivemos uma aparente política caótica de abertura do comércio e de um “novo normal”. No bate-papo, a narrativa sobre o papel do saber e do poder médico são retomados e o debate perpassa sobre as características atuais da biopolítica (estratégias de gestão dos viventes), que poderia ser nomeada como necropolítica (política da morte adotada pelo Estado). Ricardo Teixeira indica que a biopolítica não é errática e que visa o objetivo de manter leitos de UTI próximos ao esgotamento e equipes do SUS em permanente estresse. Não se busca evitar o contágio e o bem-estar da população. A política adotada por alguns governos e prefeituras é a de manter um número de leitos de UTI desocupados para que as pessoas não morram em portas de hospitais. Por isso, Ricardo afirma que “o direito a respirar foi substituído pelo direito ao respirador”.

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